"Hiroxima Meu Amor"

Hiroxima Meu Amor

O livro de Marguerite Duras (4 de Abril de 1914 -  3 de Março de 1996), uma das mais relevantes escritoras francesas da segunda metade do século XX. Um homem e uma mulher encontram-se. Ele é japonês; ela é francesa e veio a Hiroshima para trabalhar na rodagem de um filme sobre a paz. Encontramo-los agora despidos, deitados sobre a cama de um hotel. E conversam. Ela quer que estes sejam os derradeiros momentos que passam juntos, antes de regressar a casa, no dia seguinte. Ele não a quer deixar ir. São ambos casados, com filhos e uma vida familiar relativamente feliz.

A breve aventura acontece no único lugar do mundo em que não se espera que estas coisas aconteçam. Conversam sobre Hiroshima, como se não fosse impossível falar de Hiroshima. Ambos carregam uma ferida aberta do passado, não apenas ele. A dela é a do primeiro grande amor, por um soldado alemão executado à sua frente após a libertação - a que se seguiu o calvário da tosquia e da humilhação das mulheres que se haviam deitado com o inimigo.

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Ele vem encontrá-la à varanda, senta-se em frente dela, já vestido. (Em camisa, com o colarinho aberto.)

Depois de uma hesitação, pergunta:

Ele – O que era para ti Hiroxima, quando estavas em França?

Ela – O fim da guerra, quer dizer, o fim de tudo. A estupefacção… com a ideia de que se tenham atrevido… A estupefacção com a ideia de que tenham conseguido. E também, para nós, o começo de um medo desconhecido. E depois, por fim, a indiferença, o medo da indiferença, também…

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