Os críticos do populismo e os defensores da democracia elitista depositam, geralmente, mais confiança nas elites políticas do que no público em geral. No entanto, esta confiança pode ser errada. Em cinco experiências com políticos locais, legisladores estaduais e membros do público, Curtis Bram encontra (aqui) uma disposição semelhante em todos os grupos para consolidar o poder do seu partido quando lhes é dada a oportunidade — um majoritarismo egoísta que transcende as linhas partidárias. Esta tendência é mais forte entre os ideólogos empenhados, os políticos que concorrem em distritos altamente competitivos e aqueles que percecionam os opositores como especialmente ameaçadores. Os eleitos locais parecem até mais focados em garantir a próxima vitória presidencial do seu partido do que em se opor às proibições contra os seus rivais políticos.
Estas descobertas desafiam a dicotomia convencional massa/elite, revelando poucas diferenças nas atitudes antidemocráticas. A protecção da democracia exigirá provavelmente mudar o foco destas atitudes individuais para o reforço das restrições institucionais contra os abusos da maioria.
Para os autores do elitismo clássico, as massas são dependentes da elite, pois todo o grupo social se organiza através da formação de lideranças e de formas legítimas de domínio. A fórmula ficou conhecida na literatura como a “lei da minoria” (law of the small number) ou como a “inevitabilidade das elites”. Os autores do chamado “novo elitismo” colocam maior ênfase na interdependência da elite em relação à massa, mas fazem-no pelo ponto de vista da articulação política.
Saliente-se que a expressão "lei da minoria" e a ideia da "inevitabilidade das elites" são conceitos distintos, mas relacionados. A "lei da minoria" (também conhecida como "lei de ferro da oligarquia" ou "inevitabilidade das elites") descreve a tendência de que, em qualquer organização, uma minoria (a elite) tende a concentrar o poder e a influenciar as decisões, mesmo em sistemas que visam a democracia participativa. A "inevitabilidade das elites", por sua vez, refere-se à ideia de que, em sociedades complexas, o poder e a tomada de decisão tendem a ser centralizados num grupo selecto, mesmo que não haja uma estrutura formal de elites.
Em resumo, a Lei da minoria descreve a tendência de uma minoria (elite) concentrar poder e influenciar decisões em organizações, independentemente da forma de governo ou sistema político. A Inevitabilidade das elites afirma que a concentração de poder em grupos selectos é uma característica inerente às sociedades complexas, mesmo em democracias.
A "lei da minoria" foi popularizada por Robert Michels na sua obra "A Sociologia do Partido", que argumentava que as organizações partidárias, mesmo aquelas com estruturas democráticas, tendem a formar elites que se tornam cada vez mais poderosas e influentes. Michels criticava essa tendência, argumentando que ela contradiz o ideal de democracia participativa, onde todos os membros da organização têm voz e voto.
A ideia da "inevitabilidade das elites" é mais ampla e abrange não apenas organizações partidárias, mas também outros tipos de sociedade complexa, como empresas, governos e mesmo grupos sociais informais. Essa ideia, muitas vezes associada ao elitismo clássico, argumenta que a massa (a maioria) é incapaz de governar-se a si mesma, necessitando da liderança e orientação de um grupo selecto (a elite).
Embora ambas as ideias apontem para a concentração de poder numa minoria, a "lei da minoria" concentra-se na dinâmica interna das organizações, enquanto a "inevitabilidade das elites" é uma visão mais ampla sobre a natureza das sociedades complexas. A compreensão da "lei da minoria" e da "inevitabilidade das elites" é crucial para a análise de diferentes tipos de sociedade e organização, bem como para a discussão de temas como democracia, participação política, desigualdade social e distribuição de poder, visto que as elites muitas vezes convencem os pobres utilizando estratégias que vão desde a promoção de valores que reforçam a desigualdade social até a manipulação de discursos e a oferta de benefícios limitados que os mantenham dependentes.
Estratégias de Convencimento
Discurso Anticorrupção: As elites podem usar a crítica à corrupção para desviar a atenção da desigualdade e da exploração, apresentando-se como os defensores de uma mudança que, na verdade, fortalece seus próprios interesses.
Promessa de Melhoria: As elites podem prometer melhorias para os pobres sem custos directos para si, utilizando políticas que não alteram a estrutura de desigualdade.
Idealização dos Pobres: As elites podem idealizar os pobres como pessoas mais íntegras, menos ambiciosas, desassociando a pobreza de outras mazelas e dificultando a compreensão da complexidade do problema.
Criar Dependência: A oferta de benefícios limitados ou assistencialismo pode criar dependência, impedindo que os pobres se organizem e lutem pelos seus direitos.
Divisão Social: As elites podem fomentar a divisão social, criando conflitos entre diferentes grupos sociais, impedindo que todos se unam para lutar contra a desigualdade.
Controlo do Poder: A elite concentra recursos materiais e políticos, controlando os principais recursos de poder e influenciando as decisões que afectam a vida dos pobres.
Consequências
Resignação: As estratégias de convencimento podem levar os pobres à resignação, dificultando o surgimento de movimentos de resistência e transformação social.
Perda de Consciência: A manipulação de discursos e a promoção de valores podem levar os pobres a perder a consciência da sua situação e dos seus direitos.
Aprofundamento da Desigualdade: A manutenção da dependência e a falta de oportunidades para os pobres podem aprofundar a desigualdade e perpetuar a pobreza.
