«(...)A estupidez tanto pode significar recusa indolente, e muitas vezes propositada em nos servirmos do que nos foi dado pela Natureza, como a sua utilização no mau sentido.
Convém, todavia, acentuar, ainda que tal pareça evidente, que o conhecimento e a sensatez não são, de forma alguma, sinónimos, nem sequer coexistem. Há homens estúpidos que possuem vastos conhecimentos; há quem seja capaz de enumerar datas de batalhas ou dados estatísticos de exportação e importação, e, apesar disso, persistir na mais encantadora imbecilidade. Inversamente, deparam-se-nos homens sensatos cujos conhecimentos são muito restritos. Na realidade, o conhecimento prolixo e exuberante encobre muitas vezes a estupidez; mas, por outro lado, o bom senso de um indivíduo não deixa de manifestar-se pelo facto de ele ser ignorante, sobretudo se a situação que assumir na vida for tal que não se espere dele conhecimentos profundos e instrução.(...)»
Paul Tabori (8 de Maio de 1908 - 9 de Novembro de 1974) defende que a insensatez humana é uma força mais destrutiva e disseminada do que a peste ou a guerra. Tabori vê a estupidez não apenas como uma falta de inteligência, mas como uma "conquista árdua" que envolve orgulho, vaidade e credulidade. Explora a estupidez ao longo da história através de capítulos sobre ganância, burocracia, direito e superstição, abordando temas que vão desde golpes históricos a protocolos judiciais absurdos.
Embora aborde consequências trágicas, o livro é considerado satírico, destacando como a estupidez é um "alvo principal" para a sátira, sendo frequentemente citado como um estudo clássico sobre a insensatez humana ao longo da história, sugerindo que a estupidez é a única coisa que sobreviveu a "milhões de golpes diretos" de satiristas sem mudar.
