Há mais de 60 anos, o ex-oficial das SS Adolf Eichmann invocou a chamada Defesa de Nuremberga de "Estava apenas a cumprir ordens" no seu julgamento. Mas até que ponto se deve esperar que qualquer um de nós pense e aja por si próprio quando isso exige o desafio de forças superiores?
Ao reportar o julgamento, Hannah Arendt (14 de Outubro de 1906 - 4 de Dezembro de 1975) disse: "Ninguém tem o direito de obedecer". Por outras palavras, a subordinação não justifica a abdicação. A cultura é especificamente concebida para moldar as nossas atitudes, comportamentos, crenças e suposições, para que os líderes não tenham de dar ordens directas a tudo, o tempo todo.
Para viver de acordo com a filosofia de "Ninguém tem o direito de obedecer" é necessário ter a curiosidade de questionar a sabedoria adquirida, a coragem de defender o que é certo e a rapidez para mudar de direcção assim que se torna claro que se está a ser levado pelo caminho errado. Estas características, que nos dão a capacidade de definir quem somos e de nos tornarmos quem queremos ser, são as mesmas que definem a nossa capacidade de adaptação.