«O pior, o mais inveterado, o mais perigoso de todos os erros foi um erro de dogmáticos: a invenção platónica do espírito puro e do Bem em si»
Friedrich Nietzsche
Há quem entenda esta ideia como ofensiva e quem a use como argumento para justificar determinados actos. Se aqueles que praticam actos de violência são frequentemente motivados pela crença de que agem com base em princípios fundamentais e que o direito está do seu lado, a estratégia mais perigosa pode ser a crença de que estamos a agir para o bem? E não é esta a defesa utilizada para apoiar acções, por mais egoístas, injustas e cruéis que sejam? Afinal, aceitamos a guerra como uma circunstância excepcional em que permitimos e normalizamos actos como o assassinato e o abuso sexual.
Quando acreditamos que estamos a agir para o bem, estamos a defender um resultado que consideramos benéfico para nós próprios, ou será que o desejo de ser bom é a nossa única defesa contra um resultado muito pior: toda a gente perseguir os seus objectivos sem consideração pelos outros?
Reflexões à parte, a frase é uma crítica de Nietzsche a Platão por "inventar" conceitos como o "espírito puro" e o "Bem em si", que o filósofo considerava uma base para a filosofia dogmática. Essa invenção, na visão de Nietzsche, deu origem a um "pesadelo dogmático" no pensamento ocidental, ao tentar encontrar a verdade em formas puras em vez de na realidade sensível e quotidiana. Segundo a herança platónica, o subjectivo e o perspectivismo eram considerados o oposto da verdade, ou seja, um engano e uma ilusão. Nietzsche argumentava que essa invenção representava uma ousada inversão de valores, onde o mundo ideal e abstracto era privilegiado sobre a experiência e o corpo.
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