O romance distópico de um visionário

 

1984

Defensor incondicional da liberdade humana e acérrimo opositor do totalitarismo, Orwell é uma das mais influentes figuras da literatura do século XX. No dia em que se assinala 76º aniversário da sua morte, recordo "1984", a sua profecia sobre o futuro. "1984" oferece hoje uma descrição quase realista do vastíssimo sistema de fiscalização em que passaram a assentar as democracias capitalistas.

«Londres, 1984. O Grande Irmão controla a Oceânia, a Polícia do Pensamento controla as ideias, a novafala controla a liberdade. É neste mundo opressivo que Winston Smith, um mero peão ao serviço do Partido, inicia um diário, numa tentativa de individualidade Este acto de rebelião vai mudar a sua vida, levando-o, por fim, até à misteriosa Sala 101.»

Publicado a 8 de Junho de 1949, foi editado pouco tempo antes da sua morte. Com este romance, Orwell introduziu e popularizou o conceito de "Big Brother", uma presença vazia e vigilante que passou a fazer parte da linguagem crítica que analisa as técnicas de vigilância social.

São vários os analistas que identificam a actual dinâmica social com a sociedade orwelliana de "1984", onde a informação pública é continuamente manipulada para servir a vigilância generalizada que, por sua vez, coopera com a repressão política e social. Antes de "1984", elementos semelhantes apareceram no romance "Nós" (1924), do escritor russo Yevgueni Zamiatin, autor que inspirou Orwell e é considerado o fundador do romance de ficção distópica moderna. No entanto, a popularidade de "1984" chegou ao ponto de instaurar o termo "orwelliano" para se referir a um conjunto social ou organizacional que reproduz comportamentos totalitários e repressivos.