Diversidade

 

Os Filhos dos Dias

O MUNDO ENCOLHE

Hoje é Dia da Língua Materna.
A cada duas semanas morre uma língua.
O mundo diminui quando perde os seus humanos dizeres, tal como quando perde a diversidade das suas plantas e dos seus bichos.
Em 1974, morreu Ángela Loij, uma das últimas indígenas onawo da Terra do Fogo, no distante fim do mundo; a última que falava a sua língua.
Ángela cantava a sós, cantava para ninguém, nessa língua que já ninguém recordava.

Vou seguindo as pisadas
daqueles que se foram.
Estou perdida.

Em tempos idos, os onawo adoravam vários deuses.
O deus supremo chamava-se Pemaulk.
Pemaulk significava Palavra.


Eduardo Galeano in "Os Filhos dos Dias"

O Dia Internacional da Língua Materna, que hoje se assinala, tem como objetivo sublinhar a importância e as vantagens da diversidade cultural e linguística e sensibilizar para a tolerância, o respeito e a preservação do património cultural e linguístico dos vários povos do mundo.

O tema de 2026, "Vozes dos Jovens na Educação Multilingue", destaca o papel dos jovens na definição do futuro da educação multilingue. As vozes dos jovens sobre a educação multilingue destacam o facto de que a língua é mais do que um meio de comunicação: é fundamental para a identidade, para a aprendizagem, para o bem-estar e para a participação na sociedade. A comemoração ressalta a importância dos sistemas educativos que reconhecem e valorizam a língua de cada aluno para apoiar a inclusão e os resultados da aprendizagem.