Armanda Passos (17 de Fevereiro de 1944 - 19 de Outubro de 2021) deixou uma marca importante na pintura portuguesa. Numa altura em que a história da arte revê o papel das mulheres artistas, urge voltar a olhar para o seu trabalho. É de realçar a extrema coerência da sua obra, alheia a quaisquer tendências ou actualizações artificiais, constante na sua senda de explorar o potencial figurativo da mulher forte e audaz (audácia bem patente na forte paleta).
(...) A sua extensa produção artística é marcada pela presença preponderante da figura feminina, representada num traço característico da artista, que oscila entre o grotesco e o onírico. As formas são arredondadas, exageradas, e constituem um arquétipo imaginário em que realidade e sonho se encontram. Estas figuras femininas são frequentemente acompanhadas por animais, também eles representados livremente, sem preocupações realistas e, por isso, nem sempre identificáveis.
Os personagens de Armanda Passos habitam ambientes de cariz surreal, fora de qualquer geografia. A ausência de relevo, as cores vivas e a utilização plana da cor, quer na representação dos personagens quer nos fundos das pinturas, contribuem para a criação de um universo que se aproxima do mundo da infância e das suas histórias, em que a magia e a doçura convivem com uma certa dureza e inquietação. Além da pintura e do desenho, Armanda Passos desenvolveu também um extenso corpo de trabalho em gravura, serigrafia e ilustração.
Fonte: Serralves
