Hoje celebra-se o Dia Internacional da Felicidade. A data, criada através da Resolução 66/281 da Assembleia Geral das Nações Unidas, a 28 de Junho de 2012, tem o propósito de destacar a importância da felicidade e do bem-estar para o ser humano. Pretende-se sensibilizar os líderes políticos para a criação de políticas públicas que actuem nesse sentido, em áreas como o desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.
A felicidade sempre foi o objectivo supremo do ser humano. O discurso sobre a felicidade é recorrente na filosofia, na literatura em geral, na poesia em particular e, a partir de 1960, passou a ser também científico. Mas como a podemos alcançar? Maximizando os prazeres individuais e minimizando a dor? E se a felicidade de um ser humano for a causa da infelicidade de outro? A questão ética foi sempre um obstáculo para se considerar a felicidade como um problema exclusivamente individual.
O sentimento de ser "feliz" é diferente de pessoa para pessoa. Se concordarmos em dar o mesmo nome ao que pensamos ou sentimos, e, no entanto, pensamos ou sentimos coisas diferentes, então o significado comum da palavra é apenas nominal. Pessoalmente, considero não haver felicidade absoluta. Há momentos felizes, de bem-estar, de euforia e de riso. Assim como há momentos tristes, de mal-estar, de dor e de desespero. É a vivência e experiência de emoções contraditórias que mantém o equilíbrio. É a comparação entre opostos que define o conceito.
Mas para sensibilizar os líderes políticos a criarem políticas públicas de bem-estar, é necessário haver fundamentos científicos. Segundo o World Happiness Report, a Finlândia lidera o mundo em felicidade pelo nono ano consecutivo. Seguem-se a Islândia, Dinamarca, Costa Rica, Suécia, Noruega, Países Baixos, Israel, Luxemburgo e Suíça. Portugal surge em 69.ª lugar. Os rankings são baseados numa média de três anos da avaliação média da qualidade de vida de cada população. Os especialistas procuram explicar as variações entre os países e ao longo do tempo usando factores como PIB per capita, expectativa de vida saudável, ter alguém em quem confiar, sentimento de liberdade, generosidade e percepções de corrupção.
O PIB é geralmente relacionado positivamente a alguns indicadores básicos de saúde (mortalidade infantil e expectativa média de vida); progresso científico e tecnológico; sistema democrático de governo; segurança; educação e outros indicadores que sinalizam o bem-estar da população. Em países em desenvolvimento, o ganho material representado pelo aumento do PIB per capita e a diminuição do índice de desigualdade económica geralmente significam uma melhoria das condições de vida e do bem-estar das pessoas mais pobres: acesso à saúde e à educação, oportunidades de emprego, melhores condições sanitárias etc.
Não é por acaso que se defende o crescimento económico. É associado à riqueza económica que, supostamente, é a única forma de sermos felizes. Não é por acaso que não concordo com ele, nem o relaciono à felicidade. Um aumento do PIB pode não significar um aumento do bem-estar da população. O Paradoxo de Easterlin afirma que num determinado momento a felicidade varia directamente com o rendimento, tanto entre como dentro das nações, mas ao longo do tempo as taxas de crescimento a longo prazo da felicidade e do rendimento não estão significativamente relacionadas. A principal razão para a contradição é a comparação social. Num determinado momento, aqueles com rendimentos mais elevados são mais felizes porque comparam o seu rendimento com o de outros menos afortunados e, inversamente, com aqueles com rendimentos mais baixos. Com o tempo, porém, à medida que os rendimentos aumentam em toda a população, os rendimentos do grupo de comparação aumentam juntamente com os rendimentos próprios e viciam o efeito, de outra forma positivo, do crescimento dos rendimentos próprios sobre a felicidade.
Complicado de entender? Um aumento geral dos salários para todos nós conserva cada um de nós na mesma posição na "hierarquia dos salários", o que não aumenta a felicidade. Se buscamos a felicidade no aumento do salário, e se ele for aumentado habituamo-nos a viver com mais dinheiro e com o tempo a busca da felicidade é transferida para outro objectivo. Vivemos numa sociedade consumista obcecada em adquirir as "novidades" do mercado e a obsolescência planeada dos objectos de consumo absorve o aumento do salário. Ou seja, quanto mais temos, mais gastamos.
Os críticos do Paradoxo apresentam a relação positiva entre felicidade e renda em dados transversais ou em flutuações de curto prazo para contradizer a relação nula das tendências de longo prazo.
