"Ética e Psicanálise"

 

Ética e Psicanálise

«Tendo perdido o Paraíso — a unidade com a natureza — a humanidade tornou-se a eterna peregrina (Ulisses, Édipo, Abraão, Fausto); compelida a continuar e, com esforço constante, a dar a conhecer o desconhecido, preenchendo as lacunas do seu conhecimento com respostas. Ela precisa de prestar contas a si própria, sobre si e sobre o sentido da sua existência. É impelida a superar esta divisão interna, atormentada pela sede do "absoluto", com uma nova harmonia que dissipará a maldição que a separou da natureza, dos seus semelhantes e de si própria. Esta divisão na natureza humana leva às dicotomias a que chamo existenciais, porque estão enraizadas na própria existência humana. Tais dicotomias são contradições que os humanos não podem eliminar, mas podem reagir a elas de diversas formas, de acordo com o seu carácter e cultura. A dicotomia existencial mais fundamental é a da vida e da morte. O facto de que devemos morrer é imutável para a humanidade. Os seres humanos têm consciência disso. Este facto influencia profundamente as suas vidas. A morte, porém, é o oposto diametral da vida, sendo algo estranho e incompatível com a experiência de viver. Todo o conhecimento sobre a morte não altera o facto de que ela não é uma parte significativa da vida e que não temos outra escolha senão aceitar a sua existência; seja, no que diz respeito à nossa vida, a derrota.»

 

Esta obra concisa aborda um dos problemas que a filosofia moral contemporânea não enfrentou adequadamente: o problema dos relacionamentos. Analisa a inestimável riqueza de dados da psicologia moderna e da ciência que estuda o comportamento humano.

Na sua obra,  Erich Fromm  (23 de Março de 1900 -  18 de Março de 1980) explorou a forma como os valores morais influenciam o desenvolvimento da personalidade e como a psicanálise pode contribuir para uma ética humanista. Fromm defendia a visão de liberdade como a capacidade de agir de acordo com a própria essência humana, e não como uma mera ausência de restrições externas. Criticou ainda formas de alienação que impedem as pessoas de atingirem o seu pleno potencial, como o consumismo, o autoritarismo e o conformismo. Para Fromm, a ética é a arte de viver, que exige um equilíbrio entre o amor, a razão e a criatividade.