"Justiça em Ação"

 


O tráfico de escravos foi um fenómeno caracterizado por tráfico de seres humanos em massa sem precedentes, transações económicas e violações dos direitos humanos. 

Primeiro para os arquipélagos atlânticos, depois para o Brasil e para as Américas, o tráfico transatlântico de escravizados, iniciado pelos portugueses, seria, entretanto, a grande via de construção do espaço atlântico, unindo as duas margens do oceano. Entre 1500 e 1875, mais de cinco milhões e 800 mil pessoas reduzidas à condição de escravas foram transportadas a partir do continente africano em navios de pavilhão português ou luso-brasileiro.

O tráfico transatlântico de africanos escravizados foi um dos crimes mais graves da história. Milhões de homens, mulheres e crianças foram violentamente arrancados dos seus lares, privados da sua humanidade e forçados a suportar gerações de exploração. As ideologias racistas que justificaram este crime enraizaram-se nas instituições e nas sociedades, moldando desigualdades que persistem até aos dias de hoje.

O tema de 2026 para o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do Comércio Transatlântico de Escravos, convida a comunidade global a confrontar esta história com honestidade e a reconhecer o seu impacto duradouro. Promover a dignidade exige transformar os sistemas que perpetuam a discriminação e garantir que os direitos das comunidades afrodescendentes são protegidos e respeitados.

As histórias daqueles que foram arrancados das suas pátrias e famílias, daqueles que lutaram contra os seus opressores, daqueles que triunfaram contra todas as probabilidades para conquistar a sua liberdade, não podem ficar esquecidas. Assim, o objetivo deste dia é relembrar estas histórias, humanizando-as, chamando também a atenção para o combate ao racismo e ao preconceito.

A Assembleia Geral da ONU adoptou esta quarta-feira uma resolução para o reconhecimento do tráfico transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade”. A votação final teve 123 Estados-membros a favor, três contra e 52 abstenções, incluindo Portugal.