As palavras que utilizamos têm o poder de moldar a nossa percepção e interpretação do mundo. A linguagem não é apenas uma forma de comunicação, é também uma ferramenta poderosa na construção do pensamento e da realidade. Quando usamos palavras para descrever algo, estamos a dar significado a esse objecto ou conceito. Construímos significado recorrendo ao que sabemos sobre cada palavra, activando o nosso conhecimento lexical, mas também analisando a forma como as palavras se combinam, ou seja, activando o nosso conhecimento semântico. A construção de significado não se esgota contudo numa análise das partes e da sua combinação. Há informações contextuais que contribuem para a interpretação que fazemos.
Da liberdade ao feminismo, da democracia à verdade, vamos à guerra pelas palavras. Às vezes é mesmo sangrenta. Milhões morreram nas cruzadas sobre definições da palavra “Deus”.
Ludwig Wittgenstein sustentou que as palavras não têm qualquer significado fora de um determinado jogo de linguagem. Jacques Derrida defendeu que não há significado decidível em nenhuma circunstância.
Cada frase pode ser desconstruída para identificar um número indefinido de significados possíveis. No entanto, estudos linguísticos demonstraram que mesmo no uso quotidiano os substantivos comuns têm pelo menos dez a trinta “significados” diferentes.
Devemos parar de discutir sobre o significado das palavras e reconhecer que as palavras não têm um significado único ou correcto? Ou será que, sem um conjunto de significados acordados, estamos profundamente perdidos num mundo de confusão?
