«(...) António Nobre foi a face que olha para o Passado, e se entristece.
De António Nobre partem todas as palavras com sentido lusitano que de então para cá têm sido pronunciadas. Têm subido a um sentido mais alto e divino do que ele balbuciou. Mas ele foi o primeiro a pôr em europeu este sentimento português das almas e das coisas, que tem pena de que umas não sejam corpos, para lhes poder fazer festas, e de que outras não sejam gente, para poder falar com elas.(...)»
in "Textos de Crítica e de Intervenção". Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1980. - 115. 1ª publ. in “A Galera”, nº 5-6. Coimbra: Fev. 1915.
Poeta português que criou uma arte singular, aliando a subjectividade do Romântico ao poder de sugestão do Simbolismo, António Nobre faleceu a 18 de Março de 1900 na Foz do Douro, vítima de tuberculose. Apesar de morrer jovem, com apenas 33 anos, deixou uma marca indelével na poesia nacional e uma referência obrigatória de toda a Literatura Portuguesa. Em vida publicou apenas uma obra, "Só", em 1892, em Paris, onde estudava, que é, segundo o próprio autor "o livro mais triste que há em Portugal". Hoje é considerada como umas das obras mais emblemáticas do fim de século português.
