Um dos escritores mais marcantes da literatura portuguesa

 


"Comédia Humana"

Literatos! Chorai-me, que eu sou digno
Da vossa gemebunda e velha táctica!
Se acaso tendes crimes em gramática,
Farei que vos perdoe o Deus benigno.

Demais conheço a prosa inflada, enfática,
Com que chorais os mortos; e o maligno
Desafeto aos que vivem… Não me indigno…
Sei o que sois em teoria e em prática.

Quando o avô desta vã literatura
Garret, era levado á sepultura,
Viu-se a imprensa verter prantos sem fim…

Pois seis dos literatos mais magoados,
Saíram, nessa noite embriagados,
Da crapulosa tasca do Penim.

in "Toda a Poesia: Antologia Poética"


Camilo Castelo Branco, nascido a 16 de Março de 1825, teve uma vida atribulada - nomeadamente a nível amoroso - o que lhe serviu de inspiração para as suas novelas. Em 1845 estreou-se na poesia e no ano seguinte no teatro e no jornalismo. Nessa altura, o seu nome começava a soar nos meios jornalísticos e literários do Porto e de Lisboa: já alimentara várias polémicas e publicara alguns romances.

Em 1860, alvo de um processo de adultério, entregou-se na Cadeia da Relação do Porto. O rei D. Pedro V visitou-o em 1861 - na cadeia, e em Outubro desse ano os réus foram absolvidos. Foi ainda o 1.º Visconde de Correia Botelho, título concedido pelo rei D. Luís. Entre 1862 e 1863 publicou onze novelas e romances, atingindo uma notoriedade dificilmente igualável.

A partir de 1881, a sua saúde começou a piorar e a perder a visão. Em 1889, por ocasião do seu aniversário, foi calorosamente homenageado por vários escritores, artistas e estudantes. A 1 de Junho de 1890, já cego e impossibilitado de escrever, suicidou-se. A sua arte de narrar constituiu - a par da de Eça de Queirós - um modelo literário para muitos escritores, principalmente até meados do século XX.