5 de abril de 1474 marca o primeiro registo documental de Jheronimus van Aken, mais conhecido como Bosch, quando é citado como testemunha na venda de uma casa em Geffen, na Holanda. Esta informação, divulgada pelo Museu do Prado, é celebrada no Dia Europeu de Bosch, uma data que honra o legado do artista.
Apelidado de “criador de diabos”, Hieronymus Bosch não tem perfil de herege ou de artista à margem. Artista humanista, trabalhando para uma clientela aristocrática, a sua pintura, fortemente marcada pela noção de pecado, ecoa a renovação espiritual do seu tempo.
Longe de ser – segundo leituras antigas – uma interpretação pictórica de "La Nef des fous", poema satírico de Sébastien Brant (1494), o painel é mais simplesmente uma alegoria da gula. Numa nave flutuante, uma assembleia heterogénea – um franciscano, uma freira, um louco, alguns glutões obscenos… – festeja e luta por um bolo pendurado num fio e por algumas cerejas, que simbolizam, como o alaúde, a imprudência. À direita deste frágil esquife, um homem vomita, uma visão grotesca que lembra a náusea que caracteriza muitos dos condenados nas vastas composições de Bosch.
