"O 25 de Abril e a Democracia Portuguesa"

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A sondagem nacional, promovida pela Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, revela que os portugueses mantêm uma adesão muito expressiva aos valores democráticos, embora com uma visão mais crítica sobre o funcionamento da democracia em Portugal.

83,4% dos inquiridos consideram que a democracia é o melhor regime político, confirmando a solidez do consenso democrático construído nas últimas cinco décadas. Ao mesmo tempo, apenas 47% afirmam estar satisfeitos com o funcionamento da democracia portuguesa, revelando uma avaliação mais exigente e dividida quanto à resposta das instituições e à qualidade do sistema político. Entre as principais ameaças identificadas surgem a corrupção (41,8%) e os extremismos políticos (40,1%), apontados como factores de preocupação para o presente e futuro democrático.

Também o legado histórico de Abril continua fortemente valorizado: 76,8% destacam um impacto muito positivo do 25 de Abril nas liberdades e direitos, sendo as áreas políticas e cívicas aquelas onde se concentram as avaliações mais favoráveis.

A transmissão da memória histórica surge igualmente como uma prioridade para os inquiridos. 55,5% defendem o reforço do ensino sobre o 25 de Abril, num contexto em que a escola é identificada como o principal canal de transmissão desse legado (47,9%), embora persista a percepção de que essa transmissão continua insuficiente de forma estruturada.

Integrada no último ano de actividade da Comissão Comemorativa, esta sondagem cruza conhecimento histórico, percepções sociais e atitudes políticas, analisando a relação dos portugueses com a Revolução, a democracia e a memória histórica. 

A democracia não é prefeita porque o entendimento que temos dela está baseado na noção de indivíduo (individualismo - "os meus direitos" ao invés de "os nossos direitos"), logo nem todos concordamos com os vários elementos que a constituem: O respeito pelos direitos humanos, e o desenvolvimento e a segurança humana.

A democracia necessita de seres humanos livres e activos, assim como de pessoas responsáveis. Bertol Brecht uma vez sugeriu ironicamente que o governo, se tão insatisfeito com o povo, deveria dissolver o povo e eleger um novo.