A 2 de Abril de 1976 foi aprovada a Constituição da República Portuguesa com votos a favor do PS, PPD, PCP, MDP-CDE, UDP e ADIM; e votos contra do CDS.
«A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista. Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa. A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país. A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno. A Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova e decreta a seguinte Constituição da República Portuguesa (...)»
A “política”, enquanto ciência, é o estudo sistemático, teórico e empírico dos sistemas de governo, do poder e do comportamento político. Utiliza métodos de investigação, como estatística e análise de casos, para descrever como a sociedade e as relações de poder funcionam, diferenciando-se da filosofia.
A “política” é o conjunto de práticas, decisões e acções utilizadas para organizar, governar e gerir a vida em sociedade, visando harmonizar interesses e alcançar o bem comum. Envolve a gestão de conflitos, a criação de leis e normas, e a implementação de políticas públicas, não se limitando a partidos políticos, mas abrangendo toda a organização colectiva. Em essência, é a arte de gerir o interesse colectivo, mediando conflitos e definindo o rumo da sociedade.
A questão se a política é uma profissão gera debate, com uns a vê-la como vocação temporária ou missão de cidadania, enquanto outros a encaram como carreira técnica, com profissionais que vivem da política e exigem qualificação. A distinção principal reside entre o "político profissional" e o cidadão que exerce cargos públicos temporários.
“Políticos”, todos nós somos… ou quase todos. Se nos consideramos no direito a ter direito, somos políticos. Se temos ideias de como a sociedade deve ou não funcionar, somos políticos. A ideia de que "somos todos políticos" reflete que a política não se limita a cargos eleitos, mas está presente no dia a dia, nas relações humanas, nas decisões comunitárias e na gestão de conflitos. Sendo seres sociais, somos corresponsáveis pelos rumos da sociedade.
A ideia dos valores defendidos em sociedade serem motivados pela religião ou partido político ao qual pertencemos, não me convence. Existem valores abstractos, relacionados com a razão, e valores concretos, relacionados com a virtude. Em maior ou menor grau, todas as questões são formuladas em termos de valor e, diariamente, mobilizamos valores com que, não só conduzimos as nossas vidas, como também defendemos perspectivas acerca do mundo. Nesta utilização constante, formamos hierarquias de valores onde alguns deles são sobrevalorizados em detrimento dos outros.
Pilares da Formação de Valores
Educação (Base Primária): A família e a escola são os primeiros núcleos de socialização onde os valores são transmitidos intencionalmente ou implicitamente. A educação transmite padrões de comportamento, respeito e regras morais que se tornam o alicerce da nossa personalidade.
Experiências Vividas (Processo Contínuo): Ao longo da vida, as interacções sociais, os desafios e as escolhas que fazemos reformulam os nossos valores. As experiências positivas ou negativas são filtradas pela afectividade, transformando-se em princípios éticos ou morais.
Ideias Preconcebidas (Filtros Cognitivos): As nossas crenças profundas, julgamentos prévios (preconceitos) e ideologias — muitas vezes absorvidas do ambiente cultural — influenciam a forma como interpretamos o mundo. Estas ideias preconcebidas actuam como um guia interno na tomada de decisões, determinando o que consideramos certo ou errado antes mesmo de analisarmos profundamente a situação.
A Construção Individual: Embora os valores sejam influenciados socialmente, a sua apropriação é individual. A construção de valores ocorre quando o indivíduo projecta sentimentos positivos sobre experiências vividas, incorporando-os à sua identidade moral. Com o tempo, através da reflexão sobre as próprias experiências, uma pessoa pode reavaliar e modificar esses valores fundamentais.
A primeira vez que li este texto, a Constituição da República Portuguesa (1976), compreendi que sempre que o CDS fosse parte de um governo português a maioria perdia o direito a ter direito. A democracia é o único regime político que dá aos que a querem destruir o direito a ter direito. Os regimes autoritários e os regimes totalitários destroem ou reprimem quem se lhe opõe.