Surrealista

1949 revelou-se uma data decisiva para Fernando Lemos (3 de Maio de 1926 - 17 de Dezembro de 2019): as exposições do «Grupo Surrealista de Lisboa» e de «Os Surrealistas» provocaram uma forte adesão a este movimento, tanto de um ponto de vista estético como ideológico. Nesse mesmo ano, começou a fotografar.

Pertencendo já ao Grupo Surrealista de Lisboa, o seu trabalho foi mostrado pela primeira vez em 1952, na Casa Jalco (armazéns de móveis e decoração) na exposição «Azevedo, Lemos e Vespeira», onde os três artistas fizeram a apresentação pública das suas obras, que distribuíram naquele espaço peculiar, já saturado de mobiliário. Marcavam também presença três manequins, um de cada autor, numa evocação da exposição surrealista de Paris de 1947

Ficheiro:Fernando Lemos, Intimidade dos Armazéns do Chiado, 1952, fotografia p b, 57,5 x 57,5 cm.jpg

Por Fernando Lemos - A.A.V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: roteiro da coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, página 73. ISBN 972-635-155-3 (scanner próprio), Conteúdo restrito, Hiperligação

Na sociedade lisboeta da época, esta iniciativa fez escândalo e colheu críticas duras, particularmente pelas imagens que ostentava, de erotismo, provocação e liberdade. Por tudo isto e pela posição antifascista que os surrealistas abertamente assumiram, esta exposição foi encerrada pela PIDE, 10 dias depois. Cada vez mais confrontado com as pressões do salazarismo, Fernando Lemos deixou Portugal em 1953 com destino ao Brasil. O artista português morreu em São Paulo, onde residia.