Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões
O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, celebrado anualmente a 10 de Junho, data da morte de Luís Vaz de Camões (1524-1580), poeta português do séc. XVI, autor de "Os Lusíadas", uma das obras mais importantes da língua portuguesa.
O monumento erguido em sua homenagem, através de subscrição pública, é composto pela estátua do poeta, de coroa de louros na cabeça, empunhando uma espada e tendo aos pés uma couraça e alguns livros. Fundida em bronze, com 6 m de altura, assenta sobre um pedestal de pedra de 7,5 m, o qual integra as esculturas de oito personalidades das letras e das ciências dos séculos XV, XVI e XVII, nomeadamente Fernão Lopes, Fernão Lopes de Castanhede, Francisco Sá de Menezes, Gomes Eanes de Azurara, Jerónimo Côrte-Real, João de Barros, Pedro Nunes e Vasco Mouzinho de Quevedo.
Este conjunto escultórico é uma obra de Victor Bastos, executada entre 1860 e 1867, ano em que o monumento foi inaugurado pelo rei D. Luís, em 9 de Outubro, na praça pombalina, que recebeu o nome do poeta homenageado, assentando sobre um bonito empedrado, a preto e branco, a típica calçada portuguesa, no local ocupado pelo antigo Palácio dos Marqueses de Marialva.
