Dia Mundial dos Animais

Desenho

Uma data que celebra a diversidade do reino animal e a importância do seu bem-estar, à escala mundial.

A relação do ser humano com os animais, mais especificamente a tendência a antropomorfizar os seus gestos e reações, vem de longe. O filósofo italiano Mario Perniola empreendeu uma investigação acerca da relação do homem com os animais desde a Antiguidade, mostrando como a postura dos estoicos nos revela traços da percepção contemporânea: “a ideia de animalidade não é independente da ideia de humanidade.” A condição animal é aproximada da dos sábios, fornecendo exemplos, que desde os filósofos cínicos estão presentes e apresentam ao homem uma visão – seja da virtude, seja da felicidade.

Os animais também são verdadeiras fontes de inspiração para os artistas. Nas Artes Plásticas a temática de animais é recorrente, desde os primórdios da humanidade pelo interesse constante do ser humano em representá-lo devido a factores culturais, históricos, sociais, religiosos, científicos e éticos.

A representação artística foi uma das primeiras formas, antes da escrita, de expressão humana sobre actos do quotidiano. As primeiras representações com linhas simples, concebidas em tetos e paredes das cavernas, datam aproximadamente de 35.000 a.C. Estas expressões descrevem a relação do Humano com os animais, até então intensamente marcada pela caça e sobrevivência.

Com o crescimento de várias civilizações - egípcios, mesopotâmicos, gregos e romanos - que domesticaram os animais, esta relação desenvolve-se passando certos animais a ter a finalidade de companhia incutida.

Na Idade Média, marcada pelos valores religiosos de glorificar o divino e o sobrenatural, os animais encontravam-se neste mundo só para servir os humanos. Assim, nas obras de pintura, escultura ou até de arquitetura, estes seres são representados a servir seja como alimento, transporte ou proteção. A representação dos animais na arte da Idade Moderna foi marcada pelas filosofias racionalistas. Apesar de haver uma abertura no pensamento com o Humanismo, os animais continuam a ser vistos como uma espécie subordinada aos desejos e necessidades dos seres humanos, sejam estes morais ou estéticos.

A revolução industrial atestou o insistente gosto e interesse do humano sobre o animal, devido ao aumento dos animais domésticos nas classes mais afortunadas. Na contemporaneidade vemos o crescimento da preocupação do bem-estar animal, com a aparecimento de movimentos pelos direitos destes seres. Com este novo pensamento, o apreço pelos animais altera-se na Arte Contemporânea. A humanização dos seres, com representações de animais agindo como seres humanos, é cada vez mais comum nas obras de arte do século XX.

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