Um dos filósofos emblemáticos dos finais século XIX

Friedrich Nietzsche nasceu a 15 de Outubro de 1844. Em “Além do Bem e do Mal” (1886), a sua obra-prima, afirmava que desde que existem homens também existem rebanhos de homens: clãs, comunidades, tribos, povos, Estados, Igrejas. A moral sempre existiu para a autoconservação da sociedade e, assim, imoral é tudo que é perigoso para ela. A moral surge do temor com relação a tudo que foge à igualdade e à nivelação.

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Por Friedrich Hermann Hartmann - https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/originals/04/10/0b/04100baec90c105729b47f33c371476b.jpg, Domínio público, Hiperligação

Nietzsche pregava a necessidade de novos filósofos, espíritos fortes e originais o bastante para tresvalorar, inverter valores eternos. A filosofia, a partir dele, deveria abandonar a busca da verdade pela interpretação e avaliação. O filósofo do futuro deveria ser, ao mesmo tempo, um artista e um legislador, alguém capaz de criticar todos os valores. Neste livro, dividia a moral numa moral de escravos e numa moral de senhores. A moral de escravos deve ser combatida porque é, antes de tudo, moral utilitária. É ela que justifica sob o disfarce de humanitarismo e igualdade política as espécies mais desumanas de dominação. O instinto gregário da obediência é o maior aliado da sociedade que se orgulha de igualitarismo. Nietzsche sabia que a afirmação de uma moral natural é, mesmo inconscientemente, uma apologia da barbárie.

Diante de um mundo fundado na moral utilitária, Nietzsche enaltecia o homem criador dos seus próprios valores. Não era um apologista da criminalidade como queriam afirmar os nazistas e ainda o fazem os ‘terribles simplificateurs’. O homem que cria os seus próprios valores é mais perigoso do que o criminoso, o qual com frequência não está a altura dos seus actos. Nietzsche também criticou o que denominou ‘la religion de la souffrance’, a religião dos niilistas, aqueles seres marcados por um auto desprezo interior que os leva a exigir compaixão como meio para tentar depositar o fardo de si mesmo nos outros:

“Em quase toda a Europa de hoje há uma doentia sensibilidade e susceptibilidade para a dor, assim como um irritante destempero no lamento, um embrandecimento que se adorna de religião e trastes filosóficos para parecer coisa elevada - há um verdadeiro culto do sofrer." (Nietzsche, 1996, p. 194-195)

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