"Promessa ou desejo ardente"


 «A palavra “voto”, que deriva do latim votem, significa promessa ou desejo ardente.

Votar promove um sentimento de valor e poder, aliviando a sensação inconsciente de impotência que persiste quando deixamos de ser plenamente cuidados. O voto é determinado menos por ideologia política do que pela fantasia de que o líder cuidará de nós. Podemos votar motivados por um traço da personalidade ou opinião de um candidato, ignorando as suas características negativas.

Como os candidatos representam frequentemente figuras parentais, a escolha pode depender do facto de termos sido ou não bem cuidados na infância. Também podemos rejeitar um candidato que simboliza a figura parental que nos desiludiu e idealizar outro porque, em certa fase da infância, idealizámos o progenitor que cuidou de nós com afecto. O voto torna-se, assim, um desejo ardente por um candidato substituto de um pai ou mãe idealizados. Quando a idealização se desfaz, sentimo-nos frustrados e zangados. O clamor repetitivo por “mudança” em cada ciclo eleitoral nasce dessa desilusão, alimentando o desejo de encontrar um novo protector afectivo. Na fantasia infantil do chamado “romance familiar”, a criança imagina que foi, na verdade, filha de pais grandiosos e maravilhosos, e que um dia se irá reunir com eles.

Um candidato com ideologia oscilante pode proclamar ideias socialmente inaceitáveis de forma exuberante, ajustando-as ao que acredita que o público quer ouvir — apelando aos mais vulneráveis, independentemente da classe social. O eleitor pode, assim, identificar-se com o candidato, permitindo que a sua própria consciência seja absorvida pela do líder, por vezes vazia, libertando nele tendências de racismo, misoginia e desvalorização do outro.(…)»

Dr. Bruce H. Sklarew (1932–2020) in

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