Por Bottelho - Bottelho, CC BY-SA 3.0, Hiperligação
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
in "Mar Novo", também integrado na antologia "Obra Poética". O poema em que Sophia de Mello Breyner Andresen (6 de Novembro de 1919 - 2 de Julho de 2004), no âmbito das injustiças e das desigualdades sociais, enaltece a coragem dos que não têm medo de serem autênticos ao defenderem aquilo em que acreditam.
