Dia Mundial do Ambiente

Ambiente

A data foi instituída em 1972, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, durante a Conferência de Estocolmo - a primeira grande reunião internacional sobre o ambiente humano - para sensibilizar para a proteção do planeta. O tema de 2026 é “Inspirados pela Natureza. Pelo Clima. Pelo Nosso Futuro”, enfatizando as alterações climáticas, os sinais urgentes que a Terra envia e os sinais que escolhemos enviar de volta. A data apela aos governos, às cidades, às empresas e às pessoas de todo o mundo para que avancem numa única direção: interpretem os sinais à vossa volta, e enviem um em resposta.

«A ZERO reconhece que o mandato da Ministra do Ambiente e Energia teve avanços que merecem ser assinalados. A aprovação de planos de gestão da Rede Natura 2000 há muito em falta, procurando resolver um contencioso com a Comissão Europeia, é um passo relevante para a conservação da biodiversidade. Também é positiva a rejeição de uma aposta reforçada na incineração de resíduos urbanos, privilegiando soluções mais alinhadas com a economia circular. E deve ser valorizado o apoio do Fundo Ambiental à comparticipação nacional de projetos europeus das organizações não governamentais de ambiente. Mas estes sinais positivos não chegam para compensar fragilidades estruturais que continuam a comprometer a política ambiental em particular a grande subjugação que o Ministério do Ambiente e Energia tem revelado em relação ao Ministério da Agricultura.

Na gestão da água, o Ministério do Ambiente tem revelado incapacidade para afirmar uma visão autónoma face aos interesses do regadio intensivo e da construção de novas barragens, insistindo num modelo que aumenta a pressão sobre rios, solos e ecossistemas.

No Fundo Ambiental, a promessa de reforma, transparência e orientação por resultados continua por cumprir, mantendo-se um instrumento disperso, reativo e frequentemente capturado por prioridades alheias à proteção ambiental.

E no clima, a situação é particularmente preocupante: a redução recente das emissões não traduz ainda uma mudança estrutural, enquanto os transportes continuam a ser o principal foco de pressão e Portugal permanece longe do ritmo necessário para cumprir as metas de 2030.
A tudo isto soma-se uma tendência perigosa: a chamada “simplificação”, que demasiadas vezes enfraquece a prevenção, fragiliza o ordenamento do território e entrega à fiscalização posterior aquilo que deveria ser evitado à partida.

Num país com fiscalização limitada e justiça lenta, esta opção transfere riscos para o Estado, os cidadãos e as gerações futuras. O Ministério do Ambiente e Energia deve ser a voz firme da defesa do bem comum. Neste Dia Mundial do Ambiente, Portugal precisa de menos ambiguidade e de mais coragem política para proteger o clima, a natureza e o futuro.»