Poeta ganhão

Monumento a Jaime da Manta Branca
Monumento a Jaime da Manta Branca inaugurado a 1 de Agosto de 1987 na vila de Cano
 

Jaime Velez, mais conhecido por Jaime da Manta Branca, natural de Benavila, onde nasceu a 30 de Julho de 1894, foi muito novo, com 7 ou 8 anos, viver com a família para a vila de Cano. A sua vida seria uma vida como tantas outras, vergada ao peso do trabalho sob um sol escaldante. Seria, de facto, uma vida sem história, se não tivesse nascido com ele o dom de versejar como quem fala. E cantava, cantava sempre enquanto trabalhava, e nas feiras, nas tascas, ou ainda nos casamentos para que era especialmente convidado, a fim de os animar com o seu estro de repentista.

Foi na vila de Cano, onde as casas eram baixinhas e de branca cal, e o sol abrasador, que o poeta ganhão se movia, improvisava e cantava. A voz rouca e a faculdade de improvisador valeram-lhe a admiração de quantos o escutavam. Cantava em tom de fado, e acompanhado à guitarra, utilizando um vocabulário regionalista, deste Alentejo que é, sem dúvida, a província portuguesa mais decantada em prosa e verso.

Paulatinamente a sua voz foi-se esbatendo, até que a 2 de Maio de 1955, na vila de Cano, lugar que ele tanto amou, e no palheiro onde dormia, no Rossio, morria queimado o poeta ganhão que tragava copos de vinho para esquecer o trago amargo da vida…

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