"A perfeição da técnica" de Friedrich Georg Jünger, nascido a 1 de Setembro de 1898, é considerada por muitos como uma das críticas mais fortes ao utopismo tecnológico, sendo uma obra que antecipou reivindicações ambientais e preocupações contemporâneas associadas ao progresso técnico.
«É evidente a impotência dos Estados diante dos processos explosivos decorrentes do desenvolvimento da tecnologia. Não há Estado capaz de dominar esses processos, pois em toda a organização estatal interferiu a organização técnica, o que mina o Estado esvaziando-o de dentro. O homem não domina mais a validade das leis mecânicas que ele mesmo pôs em movimento. A validade dessas leis domina-o.
(…)
Por isso, o medo da destruição obscurece o espírito (…). A catástrofe é o acontecimento que ocupa o espírito humano quando não vê saída, quando, em vez de usar os seus dons, se abandona ao medo, à angústia. É por isso que representantes de teorias catastróficas aparecem agora em toda parte (…); eles proclamam o crepúsculo da cultura e sinalizam que tudo chegará ao fim (em breve). Mas, na realidade, nada está a chegar ao fim, excepto o pensamento deles.
(…)
Embora este ensaio constitua uma crítica aos esforços racionais da técnica, está muito longe de declarar um estado de hostilidade à própria razão humana. (…) Em nenhum caso é uma negação romântica da técnica, uma atitude que (…) não passaria de um devaneio vão. Não moramos em ilhas ou na mata virgem, mas onde as máquinas e a organização técnica podem alcançar-nos a todo momento. Aqui não há possibilidade de retorno, mas apenas de travessia. O pedestre não é o único que deve exercer vigilância constante para não ser destruído pelas máquinas; tal vigilância, embora mais ampla e penetrante, deve ser praticada hoje por qualquer homem espiritual que tenha mantido a noção de ser mais do que uma mera engrenagem ou parafuso dentro de uma máquina gigantesca.»
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