Nascido a 22 de Agosto de 1890, Floyd Henry Allport via a psicologia social como uma ciência experimental focada no comportamento individual em grupo. O objectivo da psicologia social é observar e explicar as influências mútuas entre os indivíduos.
No seu livro "Social Psychology" (1924), Allport apresentou uma interpretação behaviorista dos conceitos e mecanismos freudianos. Neste livro, introduziu novos conceitos: facilitação social, condicionamento aferente e eferente, incremento e decremento social, comportamento social circular e linear, reflexos e hábitos prepotentes, a impressão de universalidade, grupos que colaboram e interagem, atitudes de conformidade e atitudes sociais auto expressivas.
No artigo "A Medição e a Motivação da Opinião Atípica num Certo Grupo" (1925), escrito com D. H. Hartman, Allport demonstra que os extremistas tanto da esquerda como da direita do espectro político apresentam as mesmas características básicas de personalidade. No livro "Institutional Behavior" (1933), Allport analisou as motivações, os hábitos e as atitudes das pessoas que trabalhavam em diferentes instituições – a nação, a igreja, o direito e a indústria. Com o artigo "Rumo a uma Ciência da Opinião Pública" (1937), Allport torna-se um dos primeiros behavioristas políticos.
Uma das suas maiores contribuições para a psicologia social é a hipótese da curva J do comportamento conformista, apresentada no artigo “The J-curve Hypothesis of Con-forming Behavior” (1934). Esta hipótese afirma que a percentagem da população geral que segue as regras sociais, ou seja, que demonstra um comportamento conformista, está distribuída no gráfico numa curva J invertida; o que significa que a esmagadora maioria das pessoas segue rigorosamente as regras sociais, enquanto, com o aumento da gravidade do desvio das regras, a percentagem de pessoas desce drasticamente.
Na última parte da sua carreira, Allport desiludiu-se com a abordagem behaviorista e desenvolveu uma nova abordagem altamente abstracta a que chamou "teoria do sistema de eventos", que apresentou no livro “Theories of Perception” (1955). A teoria do sistema de eventos é uma abordagem de sistema aberto. Ela vê a estrutura social como feita de ciclos de acontecimentos, com esses acontecimentos a regressarem a si próprios para completar o ciclo.
Toda a estrutura social é feita de acontecimentos, isto é, a interestruturação de actos específicos: "A causalidade, na visão estrutural, não é histórica nem linear, mas contínua, independente do tempo e reciprocamente cíclica. Não a procuramos nem na sociedade nem no indivíduo, como tradicionalmente vistos como níveis ou agências separadas, mas nos padrões compostos de estruturação que são a realidade essencial subjacente a ambos" (1962: 19). Os indivíduos interagem para manter recompensas intrínsecas que derivam do comportamento padronizado e para garantir que a estrutura será mantida. As normas de grupo não dirigem o comportamento individual porque as pessoas as adoptam como regras morais internas, mas seguem as regras simplesmente para preservar a estrutura social em que estão inseridas.
Allport mediu o grau de estruturação através da técnica de causalidade negativa. A relevância de algum comportamento para a manutenção da estrutura é medida por um índice de interestrutura. Assim, o indivíduo é produto de uma matriz de participação em muitas estruturas colectivas, enquanto a personalidade individual serve apenas como estrutura tangencial. O trabalho de Allport, tanto teórico como experimental, foi a principal directriz para os psicólogos americanos durante muitas décadas.
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