Nestas lições sobre a filosofia da história universal, a trajetória da humanidade é retrilhada e interpretada por aquele que foi o líder indiscutível do pensamento filosófico da Alemanha da sua época e um dos filósofos de maior influência em todos os tempos. Publicada pela primeira vez em 1837, seis anos após a morte do autor, "Filosofia da história" é a obra que representa o estágio mais elevado e desenvolvido do seu pensamento, sendo um resumo e uma conclusão de toda a sua obra anterior.
«A vontade subjetiva foi considerada como possuidora de um fim, que é verdade de uma realidade, ou seja, na medida em que o fim é uma grande paixão histórica universal. Como vontade subjetiva em paixões limitadas, ela é dependente, e só consegue satisfazer os seus fins especiais dentro dessa dependência. Porém, essa vontade tem também uma vida substancial, uma realidade, na qual ela se movimenta em substância e tema sua própria essência como fim da sua existência. Essa essência é a própria união da vontade subjetiva e da razão, isto é, o todo moral o Estado, que é a realidade na qual o indivíduo tem e desfruta a sua liberdade, como saber, crença e vontade do universal.»
Segundo Hegel, o racional manifesta-se no saber e no querer humanos e, portanto, nas suas intenções e ações. Manifesta-se também na existência, como um fim universal que é constantemente buscado, e realizado – ainda que parcialmente – pelos fins particulares. Para o filósofo, é por meio das ações humanas que a liberdade se efetiva, e é no Estado que essa finalidade – isto é, a liberdade – se concretiza. O homem não é somente o material e o meio, mas, em certo sentido, é também o fim. Ou seja, o Estado que é por ele almejado e construído é um fim que é edificado para o seu próprio uso, e de acordo com a sua própria vontade em realizá-lo. O Estado é consequência do trabalho objetivo de um determinado povo.
