“Doublethink”

George Orwell nasceu neste dia, em 1903. Um ano antes da sua morte, publicou uma das suas obras mais famosas. “1984” é uma história fictícia que leva os leitores a um futuro distópico de controlo e vigilância do governo, e cuja estrutura básica é a relação entre autoritarismo e guerra e as suas consequências para a liberdade individual e o bem-estar. Por um lado, o caráter interno do regime, ou seja, o autoritarismo, e, por outro, o seu caráter externo, ou seja, as ações bélicas, reforçam-se mutuamente de tal forma que o indivíduo é esmagado psicológica e materialmente. Como ser humano, é esmagado individualmente enquanto parte das massas, e é esmagado coletivamente sob o peso da “elite do poder”.

A propaganda desempenha um papel crucial, tanto externamente na organização bélica do Estado quanto internamente no seu autoritarismo. Um dos factores psicológicos essenciais, isolados por Orwell, é uma capacidade humana a que chamou “doublethink”. O termo, inventado por ele, foi naturalmente inspirado no conhecido “double-talk”, que significa que um homem movido pelo interesse próprio apresenta argumentos totalmente contraditórios para obter os seus objetivos.

“Doublethink”, no entanto, é um conceito mais subtil. Aqui, Orwell significava a capacidade que as pessoas têm de tolerar pensamentos contraditórios sem ver ou mesmo querer ver a contradição, por causa do desejo, interesse próprio ou qualquer outra coisa. O conhecimento dessa fragilidade humana é um instrumento importante nas mãos do propagandista. Orwell chegou a este conceito depois de uma experiência considerável como jornalista e locutor. Durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou para a BBC e estava totalmente familiarizado com as técnicas de propaganda empregadas tanto pelas potências inimigas quanto pelos Aliados. As suas projeções ficcionais deste termo não eram, portanto, totalmente fantasiosas.

O conceito de "Doublethink" poderia ser estendido para incluir a combinação de diferentes tipos de argumentos lógicos — moral, político, económico — de modo a confundir a questão em vez de a esclarecer. Isso seria feito por meio do pensamento positivo ou sob a orientação de um propósito ou interesse. Esse esforço de confundir também poderia acontecer através do recurso perpétuo a argumentos circulares.

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By BBC - http://www.penguinbooksindia.com/en/content/george-orwell, Public Domain, Link

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