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«O consenso obtido comunicacionalmente tem uma base racional; não pode ser imposto por nenhuma das partes, seja instrumentalmente através da intervenção directa na situação, seja estrategicamente influenciando as decisões dos adversários. O consenso pode, de facto, ser objectivamente obtido pela força; mas o que se obtém manifestamente através de influências exteriores ou pelo uso da violência não pode subjectivamente considerar-se como consenso.»
Jürgen Habermas considerava que o critério que define o grau de validade das pretensões enunciadas será a racionalidade dos argumentos, considerando o próprio indivíduo na sua intersubjectividade como critério último que decide sobre a racionalidade da fundamentação de qualquer acto de comunicação. Critério este que é, por definição, eminentemente instável, uma vez que cada consenso é susceptível de redefinição; cada consenso intersubjectivo é, simultaneamente, ponto de chegada e ponto de partida na procura de um consenso mais firme e adequado. O consenso alcançado não pode ser o fruto de acções coercivas ou de poder, nem o resultado da acção entre sujeitos com posições de desigualdade. O trabalho de Habermas concentrou-se na esfera pública, onde ocorre a comunicação baseada na razão que mantém a sociedade unida.
