Dia Internacional da Paz

Pomba da paz de Picasso

Em 1948, no rescaldo da 2.ª Guerra Mundial, homens e mulheres de 45 países, oriundos de diferentes áreas, da ciência à cultura, reuniram-se na Polónia, no Congresso Mundial dos Intelectuais pela Paz. Entre eles, estavam Pablo Picasso, Paul Éluard, Jorge Amado e Irène Curie e os portugueses Fernando Lopes-Graça, Alves Redol, os médicos João dos Santos e Hermínia Grijó, a bióloga Maria da Costa e o físico Manuel Valadares. Deste Congresso (em cujo manifesto se lia "levantamos a voz em favor da paz, do livre desenvolvimento cultural dos povos, da sua independência nacional e da sua estreita cooperação"), e de um segundo, alargado a estudantes, trabalhadores ou religiosos, em Abril de 1949 (o Congresso Mundial dos Partidários pela Paz) haveria de nascer a pomba desenhada por Picasso e o Comité que em Março de 1950 lançaria o chamado Apelo de Estocolmo pela proibição das armas nucleares. Hiroshima e Nagasaki estavam presentes na memória de todos.

Em Novembro de 1949 nasce o Conselho Mundial da Paz, composto por 221 personalidades de diferentes nacionalidades e diferentes áreas.

Meses antes, em Portugal, era criada a Comissão Nacional para a Defesa da Paz. Ruy Luís Gomes, Maria Lamas, Ferreira de Castro ou Virgínia de Moura eram alguns dos elementos activos desta Comissão, que lançou a recolha de "100 000 assinaturas para o apelo de Estocolmo!". No decurso desta campanha (1951-1954), vários activistas foram presos e torturados.

Em 1981, a Assembleia Geral das Nações Unidas elegia o 21 de Setembro como Dia Internacional da Paz, reforçando essa mensagem em 2001 com a designação deste dia como um dia de não-violência e um período de cessar-fogo.

«Uma vez que as guerras começam nas mentes dos homens e das mulheres, é nas mentes dos homens e das mulheres que a paz deve ser construída.»

O ideal da UNESCO continua uma miragem. Será mais fácil conviver diariamente com a violência do que envidarmos esforços para construir a paz?

«(…) a violência é um processo infinito que clama continuamente por uma outra violência superior(…) só é possível enganar a violência se tivermos uma reparação para lhe propor. (…) Pretender dominar a violência com violência é confinar-se à escala da vingança, que terá como único resultado a indiferenciação entre criminoso e autoridade. O contágio da violência expõe qualquer sociedade à aniquilação, se esta não reagir enganando a vingança.»
Antoine Garapon

Uma Paz que não recuse a discriminação, que resulte de uma imposição de poder e que se fundamente numa relação entre superior e inferior, além de meramente conjuntural, contem em si o gérmen da violência e, por isso, da sua própria destruição.

Ler mais »»»

Mostrar mais