«Acho que a missão da mulher é assombrar, espantar. Se a mulher não espanta... De resto, não é só a mulher, todos os seres humanos têm que deslumbrar os seus semelhantes para serem um acontecimento. Temos que ser um acontecimento uns para os outros. Então a pessoa tem que fazer o possível para deslumbrar o seu semelhante, para que a vida seja um motivo de deslumbramento. Se chama a isso sedução, cumpri aquilo que me era forçoso fazer. O meu primeiro contacto com as pessoas é de uma grande afabilidade. Quando as pessoas recusam essa afabilidade, então eu dou-lhes o que elas me pedem: irascibilidade. Volto-lhes as costas irascivelmente, mais nada. Se é isso mau génio, talvez seja.»
in "O Dever de Deslumbrar", Biografia de Natália Correia, de Filipa Martins
Poeta, dramaturga e jornalista, tendo deixado uma vasta obra que se estende por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio, Natália Correia nasceu no dia 13 de Setembro de 1923, em São Miguel, nos Açores. Foi, também, deputada na Assembleia da República, defendendo que a intervenção política era uma “obrigação dos poetas”.
Organizou também várias antologias de poesia portuguesa como “Cantares dos Trovadores Galego-Portugueses” ou “Antologia da Poesia do Período Barroco”. Com a sua personalidade carismática, desafiou as convenções, nomeadamente nos anos em que foi deputada na Assembleia da República. Na década de 80, foi autora da série “Mátria”, da RTP, que apresentava uma visão do lado matriarcal da sociedade portuguesa. Natália Correia é também a autora da letra do Hino dos Açores, aprovado pelo Governo Regional dos Açores em 1980.
Recebeu o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores em 1991, pelo livro “Sonetos Românticos”. No mesmo ano, foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade. Em 1981, tinha já sido feita Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Morreu no dia 16 de Março de 1993, em Lisboa.
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