O realismo de Shklar

Judith N. Shklar

«Todo adulto deve estar possibilitado de tomar todas as decisões sobre quaisquer aspetos da sua vida sem qualquer receio ou interferências, desde que estas sejam compatíveis com a liberdade de todas as outras pessoas. Essa crença é o original e único significado defensável do liberalismo.»

Judith N. Shklar afirmava que o liberalismo não deve ter pretensões de formular uma ética deontológica, isto é, definir como as pessoas devem procurar a sua felicidade. O liberalismo, segundo Shklar, “deve preocupar-se em formular políticas que impeçam o abuso de poder dos mais fortes contra os mais fracos. É dessa forma que as pessoas podem conduzir livremente as suas vidas sem medo”

Entendia o liberalismo como uma doutrina de pluralismo e tolerância. A prioridade deveria ser menos de ordem filosófica idealista e mais de uma prática política que leve em consideração a realidade:

«O liberalismo não tem que entrar em especulações sobre quais as potencialidades deste ou daquele "eu", mas tem que levar em conta as condições políticas reais sob as quais as pessoas vivem, a fim de agir aqui e agora para evitar perigos conhecidos e reais. A preocupação com a liberdade humana não pode parar com as satisfações da própria sociedade ou clã.»

Esta reformulação do pensamento liberal não se distancia inteiramente das ideias do liberalismo clássico, como a mesma reconhece: “O que o liberalismo do medo deve a Locke (...) é óbvio: os governos deste mundo com seu imenso poder de matar, mutilar, doutrinar e fazer a guerra não são confiáveis (...)"

O realismo de Shklar não pretendia combater a utopia nem as políticas idealistas, mas as teorias baseadas em verdades ou realidades para além do que consideramos como verdadeiras. Considerava que o liberalismo deveria ter memória histórica. O trabalho de Judith Shklar é geralmente visto como uma influência importante para aqueles que adoptam uma abordagem céptica ao pensamento político e se preocupam, acima de tudo, em evitar grandes males.

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