“Do Sentimento Trágico da Vida”

Do Sentimento Trágico da Vida

«Pelo que me diz respeito, jamais de bom grado me entregarei, nem outorgarei a minha confiança a um condutor de povos que não esteja penetrado da ideia de que, ao conduzir um povo, conduz homens, homens de carne e osso, homens que nascem, sofrem e, ainda que não queiram morrer, morrem; homens que são fins em si mesmos, e não meios; homens que hão-de ser o que são e não outros; homens, enfim que buscam isso a que chamamos felicidade. É inumano, por exemplo, sacrificar uma geração de homens à geração seguinte, quando não se tem o sentimento do destino dos sacrificados. Não da sua memória, não dos seus nomes, mas deles próprios.»

“Do Sentimento Trágico da Vida” é a expressão maior do pensamento de Miguel de Unamuno, ensaísta, romancista, dramaturgo, poeta e filósofo espanhol nascido neste dia, em 1864. Cada uma das suas páginas está impregnada pela dor concreta de uma consciência sem paz, dividida entre a ânsia do absoluto e a evidência da morte. É precisamente esta tensão que provoca a famosa afirmação de Unamuno: «E se é o nada que nos está reservado, façamos com que isso seja uma injustiça.»

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