Urgente

Ilustração

«É urgente construir Paz. É urgente conceder espaço para o devaneio em busca de outros sinais dos tempos e das coisas. É urgente buscar distanciamento para o aprofundamento.

Os sinais dos tempos modernos não são tranquilizadores. Confrontamo-nos com um conjunto de medos e pânicos, provenientes de uma complexidade violenta e organizada, de resultados devastadores, com fenómenos perturbadores de marginalidade e exclusão social, graves e irreversíveis ataques ao meio ambiente, crises económicas e as mais diversas formas de corrupção.

As respostas deficitárias e a incapacidade de se reduzirem os riscos, geram movimentos reivindicativos de maior controlo social e de intervenção mais repressiva, através da limitação dos direitos fundamentais.

É urgente recriar novos pontos de vista sobre a "Violência" para que os desígnios, sobretudo humanos, que a pretendem reprimida, não venham também a anulá-la como instrumento último de defesa e de luta por valores fundamentais, como reduto derradeiro de afirmação da dignidade pessoal, ou até mesmo como mote privilegiado no domínio da criação artística.

É nas expressões artísticas que, muitas vezes, nos confrontamos com a "Paz" e a "Violência" que nos habitam interiormente. São elas que projectam, para a frente dos nossos olhos, a imagem real de um 'eu' na maioria das vezes desconhecido por nós mesmos. As reacções diante do inferno de "Os Desastres da Guerra" de Goya, ou de "Guernica" de Picasso, são bom exemplo.»

In “Construir a Paz: visões interdisciplinares e internacionais sobre conhecimento e práticas"

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