«Aprende-se a escrever, lendo. E também é necessária uma grande humildade face ao material da escrita. É a mão que escreve. A nossa mão é mais inteligente do que nós. Não é o autor que tem de ser inteligente, é a obra. O autor não escreve tão bem quanto os livros.»
in D.N. (09-11-2004)
Morreu hoje, aos 83 anos, o escritor António Lobo Antunes. Nascido em Lisboa, em 1942, licenciou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria. Entre 1971 e 1973 foi mobilizado como médico militar para Angola durante a Guerra Colonial, experiência que marcou profundamente a sua vida e se tornaria matéria fundamental da sua obra literária.
Estreou-se na literatura em 1979 com “Memória de Elefante” e, no mesmo ano, publicou “Os Cus de Judas”, romance que o afirmou como uma das vozes mais poderosas da ficção portuguesa. Seguiram-se dezenas de livros que construíram um universo literário único, marcado por uma linguagem intensa, narrativas fragmentadas e uma profunda exploração da memória, da história portuguesa e da condição humana.
Entre os seus títulos mais conhecidos contam-se “Conhecimento do Inferno”, “Manual dos Inquisidores”, “Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo” e “Eu Hei de Amar uma Pedra”. Autor de mais de três dezenas de romances, amplamente traduzido e lido em todo o mundo, foi distinguido em 2007 com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.
A sua morte representa a perda de um dos escritores que mais profundamente retrataram o Portugal do século XX e que mais renovaram a ficção portuguesa contemporânea. A sua obra permanecerá como um dos grandes legados da literatura portuguesa.
Texto Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas
.jpg)