"Felizmente Há Luar!"

Felizmente Há Luar!

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Fosse eu digno da ideia que de mim mesmo tinha, e estava lá em baixo, em São Julião da Barra, ao lado de Gomes Freire, esperando a morte...
Quando os justos estão presos, só os injustos podem ficar fora das cadeias e eu, Matilde, vendi-me para estar, agora, aqui, a vê-lo morrer.
As ideias de Gomes Freire são também as minhas, mas ele vai ser enforcado - e eu não.
Os motivos que os governadores tiveram para prendê-lo, também os tiveram para me prenderem a mim, mas a ele prenderam-no - e a mim não.
Faltou-me sempre coragem para estar na primeira linha...
Durante estes meses, duas vezes dei comigo à berma de lhe chamar louco, para desculpar a minha própria cobardia.
Há homens que obrigam todos os outros homens a reverem-se por dentro...

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Denunciando a injustiça da repressão e das perseguições políticas levadas a cabo pelo Estado Novo, a peça "Felizmente Há Luar!", publicada em 1961, esteve proibida pela censura durante muitos anos. Só em 1978 foi pela primeira vez levada à cena, no Teatro Nacional, numa encenação do próprio Sttau Monteiro.

Dramaturgo, encenador, jornalista e romancista português, Luís de Sttau Monteiro (3 de Abril de 1926 - 27 de Julho de 1993), é conhecido sobretudo pela peça em dois atos Felizmente Há Luar (1961), que ganhou o Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores mas seria representado no nosso país apenas em 1978, devido à intervenção da censura. A sua carreira literária iniciou-se em 1960, com a publicação do romance Um Homem não Chora, a que se seguiu, em 1961, outra obra de prosa ficcional, Angústia para o Jantar. As suas sátiras sobre a ditadura e a Guerra Colonial tornaram-no objeto de perseguição política, chegando mesmo o autor a ser preso.

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